Meandros da magia, feitiçaria e bruxaria

Os mais entendidos sobre estas matérias são unânimes em concluir que a magia não é uma colecção de receitas com as quais se pode alcançar fama, riqueza e poder sem nenhum esforço, ou então conseguir derrotar eventuais inimigos. A magia é arte.

Os não iniciados veem no termo “magia” nada mais além de simples feitiçaria e pactos com  os poderes obscuros. Na realidade a magia é uma ciência divina. Na verdadeira acepção da palavra, ela é o conhecimento de todos os conhecimentos, pois ensina-nos como conhecer e utilizar as leis universais. Segundo escritos do Novo Testamento, Jesus fazia cousas mágicas. Também o Diabo faz coisas mágicas. Levando em conta as leis universais da polaridade entre o bem e o mal, activo e passivo, luz e trevas, toda ciência pode ser aplicada para objectivos maléficos ou benéficos.

Os factores determinantes nos actores envolvidos na magia na feiticaria e na bruxaria são sempre as particularidades do carácter de cada indivíduo. Essa afirmação vale também para todos os âmbitos do conhecimento secreto. Isto nos remete para o que se denomina feitiçaria e bruxaria.

Tudo indica que feitiçaria e bruxaria andam de mãos dadas.

A “Revista de História da África e de Estudos da Diáspora Africana de 3 de junho de 2009” refere que feitiçaria é a terminologia que designa as práticas ritualisticas africanas. Trata-se da apropriação do termo fetiche por autores ocidentais a partir do Iluminismo.

As práticas ditas de feitiçaria, bruxaria e magia estão presentes em diversas sociedades há muito tempo e se constituem por sua vez e em particular, em parte integrante ou mesmo central, segundo Parés (2006), do sistema religioso africano actual.

São ditas religiões fetichistas aquelas que comportam o culto ao fetiche, palavra usada na língua francesa inicialmente, derivada do português “fetisso”-“feitiço”, que quer dizer “coisa feita”. No contexto das religiões, o feitiço implica a personificação de objetos materiais, crença em um poder sobrenatural que actua para que determinada coisa aconteça, além de práticas determinadas.

O feiticeiro é quem faz o feitiço e é tido como sendo o manipulador de forças sobrenaturais. São diversas as formas sob as quais os fetiches aparecem. Segundo Pietz (1985), o termo feitiço é usado para designar “práticas mágicas” ou “bruxaria”. Essas práticas não eram específicas da África Subsaariana, também estavam presentes entre Muçulmanos e Cristãos, e seu conhecimento contribuiu para que se interpretasse feitiçaria como idolatria.

Também a revista que inicialmente citamos refere que a bruxaria europeia se tornou poderosa na Idade Média. Dizia-se possuidora de segredos egípcios e de outros portados pelas sibilas (mulheres que protagonizavam os oráculos) romanas, donde parecem ter procedido incontáveis processos terapêuticos e mágicos, especialmente amorosos,  filtros, benzeduras, orações e ensalmos.

Evans-Pritchard (1902-1973) enfatizou que a bruxaria entre os Azande (uma tribo africana do Sudão) é uma forma de explicar os infortúnios e de regular a conduta humana e as relações sociais. Para os Azande, a feitiçaria e a bruxaria são distintas. Bruxaria é uma substância existente no corpo dos bruxos”.

Diferentemente da feitiçaria, manipulação de objetos com finalidade causal, que faz um indivíduo adoecer e morrer num espaço de tempo curto, a bruxaria se dá num processo lento. A bruxaria é tida como sendo um fenômeno orgânico e hereditário, o qual os Alomwe de Moçambique dão o nome de okhwiri.

As pessoas são bruxas e podem fazer mal em virtude de possuírem essa qualidade de bruxo intrínseca a elas próprias. Um bruxo não pratica ritos, nem faz feitiçaria. Um acto de bruxaria é um acto psíquico. Supostamente deve estar em sintonia com mundos interdimensionais e o espaço etérico da nossa dimensão.

Os feiticeiros podem fazer adoecer aos bruxos por meio da execução de ritos mágicos que envolvem drogas maléficas. Segundo os Azande, bruxaria é transmitida por descendência unilinear. O genitor bruxo transmite a seus filhos homens, essa característica física e a genitora bruxa transmite apenas às filhas a mesma característica. Se trata de uma característica hereditária, podendo porém, outros membro da geração não lhes ser transmitida essa caractarística. Ou seja, nem todos os membros da família do brixo ou da bruxa, podem ser bruxos.

Entretanto, tudo parece indicar que no geral os bruxos também podem ser feiticeiros, já que a feitiçaria requer formação e instrução, que pode durar de três à cinco anos, o que eventualmente potencializa as qualidades da bruxaria. Se trata de um trabalho iniciático nas doutrinas ocultistas milenares provavelmente provindas das profundezas do universo e disseminadas nos grupos ocultistas da raça humana. Em última instânci, nos círculos mais fechados do ocultismo, o controlo total é exercido por forças alienígenas que desde tempos antanhos controlam e dominam a raça humana.

Em nossas pesquizas, apuramos que uma certa avô, durante suas incurções noturnas e até diurnas, voava com a neta. No mesmo diapasão, certos bruxos qundo vão atacar alguma vítima, para não serem reconhecidos manipulam a holografia facial, valendo-se do rosto de um desconhecido ou de um parente participante involuntârio, portador da substância de bruxaria. A substância pode ser compreendida como algo que acontece em níveis quânticos da matéria.

O conceito de bruxaria fornece uma filosofia para explicar as relações  entre os homens e o infortúnio; para explicar de forma breve eventos funestos, assim como é um sistema de valores que regula a conduta humana.

Para saber se alguém está “embruxado”, consulta-se o oráculo (através de búzios, e outras bugigangas obscuras, incluindo as operações místicas dos apómetras, apóstulos, exorcistas, videntes etc.) 

No Sudão, bruxos confirmados são aqueles denunciados, muitas vezes pelo oráculo. A morte é, por sua vez, compreendida como resultado de bruxaria e deve ser vingada, assim como as demais práticas ligadas à bruxaria também devem ser vingadas. Tudo indica que não há rancor por parte da família do bruxo, pois, quando uma pessoa mata por bruxaria, o crime é de sua exclusiva responsabilidade. A bruxaria está na própria pessoa.

Com o advento das igrejas evangélicas e práticas provindas das religiões sincréticas, em nome do Espirito Santo, os demónios, ou seja, os maus espíritos são impiedosamente queimados no fogo aparentemente simbólico do inferno ou ainda submersos no mar e nos leitos dos rios, com o intuito de serem arastados pelas correntes das águas para mundos tenebrosos.

Os apómetras, ou seja, os curandeiros, adoptam o método que consiste em fazer regorgitar a substância da bruxaria ou do feitiço, para o ofensor, com o intuito de se fazer a devida retaliação ou a quebra das correntes do mal.

De acordo com Gluckman (1991), os africanos possuem conhecimentos técnicos precisos e científicos. Suas leis e seus procedimentos são diferentes daqueles encontrados entre os europeus, mas no âmbito do seu sistema, raciocinam com clareza e distinguem as questões.

O africano nasce numa sociedade em que se acredita na bruxaria, na feitiçaria, na magia e por essa razão, a estrutura mesma de seu pensamento, desde a infância, compõe-se de ideias mágicas e místicas. A bruxaria é coisa vivida, muito mais do que raciocinada. As acções quotidianas do africano estão relacionadas a ela.

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